Ano da Vida Consagrada: APOSTOLADO - «Ai de mim se não evangelizar» (Sal 51, 19)

«Gerei-vos em Cristo Jesus pelo Evangelho»
(1 Cor 4,15)
 
 
 
Para uma nova evangelização, são precisos homens novos, sacerdotes novos, métodos novos e um novo ardor de santidade para proclamarmos Jesus Cristo, que «é sempre o mesmo ontem, hoje e por toda a eternidade» (Heb 13, 8), Quanto mais santo, mais apóstolo!

 

Os consagrados devem ter consciência de que o seu apostolado só será autêntico se brotar de uma união profunda com Jesus Cristo. Mais do que pela pregação e pela actividade conquistadora, hão de realizar a sua missão de implantar o Reino de Deus no coração dos homens pela caridade, pelo testemunho da sua vida e, sobretudo, pela sua participação no sacrifício do Redentor do mundo. O seu influxo há de ser, principalmente, um influxo místico que irradie da sua união com Cristo. Será um apostolado mais na linha do «ser» que do «fazer», silencioso e vivido na obscuridade da fé.

 

Não nos esqueçamos que trazemos em vasos de barro (2 Cor 4, 7) o tesouro do nosso ministério. No entanto, avancemos sem medo para os novos areópagos. Que o fracasso e a incompreensão dos homens não nos façam recuar pois embora às vezes pareça que Cristo vai a dormir dentro da barca, Ele está presente mesmo no meio das grandes tempestades. Conservemos firme a nossa fé porque nós temos um Sumo Sacerdote, Jesus Cristo, que é capaz de se compadecer das nossas enfermidades. Ele passou pelas mesmas provações que nós, excepto o pecado. Vamos, pois, confiantes ao trono da graça a fim de alcançarmos rnisericórdia (cf. Heb 4,14-16).

 

A tentação do desânimo e a sensação de inutilidade ou ineficácia deverão ser superadas por uma confiança sem limites no valor do apostolado orante. É um apostolado que tem de ser feito de acordo com o espírito do instituto, ou seja, mais de dentro para fora que de fora para dentro, o que não exclui, de forma alguma, a existência de uma acção externa. Como são formosos os pés do mensageiro que anuncia a paz através dos montes (cf. Is 52,7; Rom 10,15; Na 2,1).
 
O apostolado activo será subordinado à força da oração. Na comunidade, o zelo apostólico tem a sua grande força na nossa íntima união com Cristo, alicerçada pela oração contínua. Mas para que esta oração seja autêntica é absolutamente necessário o amor fraterno entre todos os membros da comunidade.

 

Na raiz de todos os desentendimentos e de todos os males que causam a desunião dentro da vida comunitária está sempre latente a falta de confiança. A desconfiança é, em certo sentido, pior do que o pecado, pois ela é a raiz e a própria causa do pecado.

 

Apliquemos o remédio, cortando o mal pela raiz: confiemos nos irmãos! Confiemos em Deus! Confiemos no Seu amor! Se não amas (ou confias) o teu irmão que vês, como pretendes amar (confiar) em Deus a Quem não vês? (cf. 1 Jo 4,20).

 

O Apostolado consiste em cooperar na obra salvífica de Jesus Cristo, nosso Salvador, através da oração e do sacrifício. Pelo nosso apostolado participamos na maternidade espiritual da Igreja, gerando almas para Cristo. É assim que o entende S. Paulo: «ainda que tivésseis dez mil mestres em Cristo, não tendes todavia muitos pais: pois eu vos gerei em Cristo Jesus pelo Evangelho» (1 Cor 4,15).

 

Que ninguém se dispense desta obrigação - «ai de mim se não euangelizar» - porque Deus, no fim da vida, nos pedirá contas daqueles que poderíamos ter salvo e não salvámos: «que fizeste do teu irmão?» (Gen 4,9). Não podemos responder como Caim: «acaso sou eu o guarda do meu irmão?» (Gen 4, 9). É uma obrigação que nos é imposta por Deus: «anunciar o Evangelho é uma obrigação que se me impõe» (1 Cor 9, 16a). «Grande mistério este e nunca assaz meditado, que a salvação de muitos dependa das orações e sacrifícios de alguns em benefício do Corpo Místico de nosso Senhor Jesus Cristo» (Pio XII, Mystici Corporis).

 

Os consagrados peçam instantemente a Deus que envie «operários para a Sua messe» com um ardente zelo pela salvação das almas, porque o grande desejo de Cristo é «que todos os homens se salvem» (1 Tim 2, 4):
 
Senhor: «dá-me filhos ou que eu morra» (Gen 30, 1);
que no entardecer da vida,
eu possa comparecer diante de Vós,
alegre e confiante,
por ter cumprido a minha missão apostólica:
a geração das almas pela oração e pelo sofrimento.
«Eis-me aqui com os filhos que me deste» (Is 8,18).

Nuno Westwood

Cronista do Ano da Vida Consagrada.

Nasceu a 16 de Janeiro de 1972. Ordenado sacerdote a 21 de Julho de 1996, no santuário de Nossa Senhora do Sameiro, em Braga, pelo Sr. D. Eurico Dias Nogueira. Membro da comunidade dos Apóstolos de Santa Maria, fundada por Frei Hermano da Camara. Foi Vigário Paroquial em paróquias das Taipas (Guimarães), Cabanelas (Vila Verde), Algueirão (Sintra), Estoril (Cascais). É pároco de São Julião da Barra e de Nova Oeiras.

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