Transforma a tua pedra

Cartas a uma amiga 5 abril 2025  •  Tempo de Leitura: 2

Todos temos uma opinião sobre algo e, às vezes, é de tal modo aguerrida que “disparamos” para todo o lado e a opinião deixa-a de ser para passar a ser insulto. Quando nos contornamos estamos de pedra na mão a acusar tudo e todos com uma altivez que nos parece enobrecer.

 

Numa era de enorme crispação social, instigada pela constante intriguice e dúvida, parece que andamos sempre de pedras na mão à espera de apanhar alguém em flagrante para a atirar.

 

Para quê?

Somos incapazes de tentar conhecer a história ou até falar em privado.

Somos rápidos a fazer juízos de valor apenas os com títulos, chavões que a comunicação social nos quer vender.

Somos prontos a criticar aqueles que já foram bestiais na nossa vida e de repente nos parecem umas bestas.

Fazemos isso, e fazem-nos isso também a nós!

Andamos pesados e talvez seja das pedras que carregamos.

Andamos tristes e talvez seja das pedras que levamos.

O que achas?

Se tens pedras, que te pesam, olha bem e vê se as podes transformar em algo construtivo.

 

Não precisas de esconder o que sentes nem o que pensas mas treina que essa comunicação seja feita com amor e não com a aridez de uma pedra. Olha, se te consola, volta e meia dou por mim a olhar para as minhas pedras e a pensar: o que faço convosco? Não, não vou construir castelos e não as quero acumular para não me pesarem, mas não as consigo ignorar. Também não as quero atirar a ninguém, até porque algumas pedras são muito afiadas. Enfim…!

 

Estou a tentar transforma-las em algo diferente e, com a ajuda daqueles em quem confio, limar cada ponta afiada para ver o que sai dali. Quem sabe sai algo novo.

 

E tu amiga, em que vais transformar as tuas pedras?

Raquel Rodrigues

Cronista "Cartas a uma amiga"

Raquel Rodrigues nasceu no último ano da década 70 do século passado. Cresceu em graça e em alguma sabedoria, sendo licenciada em Gestão, frequenta o mestrado em Santidade: está no bom caminho!

Aproveita cada oportunidade para refletir sobre os sentimentos que as relações humanas despertam e que, talvez, sejam comuns a muitas pessoas. A sua escrita é fruto da vontade de partilhar os seus estados de alma com a “amiga” que pode bem ser qualquer pessoa que leia com disposição cada uma das suas cartas.

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