Promessa(s) de futuro!
Cada vez que começa um Ano Novo ou um mês novo existe uma promessa em branco. Como se, às vezes, precisássemos de um virar de página temporal para ganharmos, também nós, algum balanço e para catapultar uma ou outra mudança.
O mês de abril traz-nos, para além da novidade de se iniciar, a promessa da Primavera, do bom tempo, dos dias mais longos e demorados. É como se nos fosse concedida a graça de ter mais tempo, ainda que nos pareça pouco, escasso, ténue e profundamente frágil.
Parece que, de há uns tempos para cá, tudo se acelerou. Os dias correm a uma velocidade avassaladora, os meses antecipam-se uns aos outros; ainda ontem estávamos a soprar velas no nosso 7º aniversário e, de repente, estamos prestes a fazer quarenta anos.
Ninguém nos prepara para a rapidez de existir e de ser. Mas, também com o tempo e com a idade, vamos deslindando estratégias para abrandar os dias, para ganhar vida no meio do caos que nos vai sendo revelado a cada instante.
Estamos, tantas vezes, mais velhos. Mas, nem por isso, mais sábios. Aprendemos muito, mas já nos esquecemos de metade. Corremos muito e parece que nem sempre conseguimos sair do mesmo sítio. Arriscamos menos e já preferimos a zona de conforto ao logo se vê.
Ainda assim, e imersos na espuma de todos os dias, sobra-nos um fio de esperança. Às vezes tem a espessura de uma corda forte e, outras, tem a fragilidade de uma linha de costurar.
Sobra-nos um momento pequeno (e simples) para respirar fundo e colocar a mão no coração.
Sobra-nos a certeza de estarmos bem. Aqui e agora. Por muito que não saibamos o que vem a seguir.
Sobra-nos a segurança de ir sabendo gerir uma hora e um dia de cada vez, sem antecipações sem atropelos.
No fundo, tudo seguirá o seu rumo e, muitas vezes, independentemente da nossa vontade.
Por um lado, ainda bem.
E por outro, também.