A liturgia deste domingo celebra a ressurreição e garante-nos que a vida em plenitude resulta de uma existência feita dom e serviço em favor dos irmãos. A ressurreição de Cristo é o exemplo concreto que confirma tudo isto.
«Durante o Sábado Santo, a Igreja permanece junto ao sepulcro do Senhor, meditando sua paixão e sua morte, sua descida à mansão dos mortos e esperando na oração e no jejum sua ressurreição» (Circ 73).
Hoje morro contigo Senhor. Morro por um mundo que cada vez mais prefere evitar-Te, morro pelas nossas fragilidades, porque peco, arrependo-me e torno a pecar, morro porque continuamos a falhar ao escolher a guerra, o ódio e o egoísmo.
Não há nenhuma dor humana, nenhuma, que não tenha expressão no sofrimento daquele crucificado
Todos temos a nossa cruz. Não há cruzes maiores ou mais pesadas, mais esfarpadas ou mais injustas, mas apenas diferentes. Diferente pela maneira como decidimos abraçá-la, diferente pelo modo como a carregamos, diferente pelo sentido que lhe damos.
«O Espírito do Senhor está sobre mim, porque me ungiu para anunciar a Boa-Nova aos pobres; enviou-me a proclamar a libertação aos cativos e, aos cegos, a recuperação da vista; a mandar em liberdade os oprimidos» (Lc 4, 18).
Não me acredito que Jesus tenha experimentado o silêncio do Seu Pai, apenas na Cruz.
«Foste Tu, Senhor, que sofreste a morte para que eu viva!»
Passados dois mil anos, que tenho a ver com isto? Talvez perceber melhor que servir os outros é esquecermos-nos de nós, voltando-nos mais para fora, até ao limite das necessidades de quem anda frágil.